sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Carlos Gonzaléz? Sou MEGA fã!

Desde que comecei  a seguir seus textos, me encantei.....mais um que deu nome a todos os meus sentimentos, a minha maneira de cuidar das crianças, mostrou que nao, nao sou louca alternativa ou algo parecido, sou apenas mae, mae que usa os instintos mais primarios do ser humano pra cuidar da prole.....como aquela mulher das cavernas que o fazia por meio de sobrevivencia, pois é, sem familia e sem ajuda por perto, eu consegui desenvolver ao maximo meu instinto, seja materno (nao gosto muito dessa teoria, tira um pouco o lugar do pai!) ou apenas de sobrevivencia mesmo.

 Essa semana me deparei com esse texto aqui, traduzido pela Monica Bittar na comunidade " Eu pratico cama familiar" e como é a minha cara, trouxe pra dividir com voces!

"Los niños que duermen con sus padres tienen menos problemas"


http://www.lavanguardia.es/ciudadanos/noticias/20100331/53900236179/carlos-gonzalez-los-ninos-que-duermen-con-sus-padres-tienen-menos-problemas-finlandia-gonzalez-alema.html



As crianças que dormem com os seus pais têm menos problemas” (La Vanguardia [Barcelona – Espanha] 31/03/10)




Ter um filho é uma experiência transcendente. É como uma semente que se planta para garantir a passagem à eternidade. Por isto é tao importante ser pais, mais que o dinheiro ou o trabalho, ainda que muitas vezes nao se dedica o tempo suficiente aos filhos. Para o pediatra Carlos González, presidente da Associaçao Catalã Pro Amamentaçao (ACPAM), isto é um erro grave.



Existem pais que enchem seus filhos de presentes para cobrir a sua falta de atençao, quando o que necessitam sao mais horas de pai e mae. González recomenda nao seguir a recomendaçao de livros que dao conselhos para criar uma criança porque o melhor é se deixar levar pelo bom senso. Parece estranho que o diga justamente ele, que acaba de publicar “Entre o teu pediatra e você”. Entretanto isto é o que lhe dita a sua experiência como pediatra, mas também como pai de três filhos, que já comem e já dormem.
Pergunta (P): Como criar bem uma criança?


Resposta (R): Passando o maior tempo com ela.



P: Mas tem muitos pais que têm que trabalhar.

R: Sim, mas no fundo todo mundo pode se permitir cuidar dos seus filhos. Meus pais o fizeram comigo. É questao de prioridades.



P: De que prioridades?

R: Se você quer ter muitas coisas materiais ou estar mais tempo com eles. Às vezes o nível de vida nao depende tanto do dinheiro que você ganha, mas de viver como você quer e fazer o que você quer.



P: Seus pais te educaram assim.

R: Preferiam estar comigo mais que trabalhar, ainda que nao saíssemos de férias nem tívessemos carro. Eu segui o mesmo exemplo. Quando nasceram meus três filhos deixei de trabalhar e me dediquei a escrever em casa, porque existe algo mais gratificante que ser pai?



P: Nao pude comprová-lo.

R: Se você é um ministro, prêmio Nobel o cirurgiao salva-vidas, poderia ser mais gratificante, mas se você é mais um pediatra entre tantos, um peao de obras ou trabalha num supermercado, mais gratificante para você serao os teus filhos.



P: Por quê ter filhos é tao transcendente?

R: Dentro de umas décadas o único que restará de nós será a nossa descendência. Quando era adolescente, li num muro de rua: “temos que considerar a possibilidade de que a imortalidade esteja nos filhos”.



P: Nunca había pensado nisso.

R: Como sejam e vivam os nossos filhos dependerá de nós mesmos



P: O que significa criar um filho de forma natural?

R: O normal na espécie humana é dar a atençao que o bebê pede: quando chora, pegá-lo no colo; se ele se desperta, consolá-lo… Isto de colocá-lo para dormir em outro quarto e nao acostumá-lo no colo se inventou recentemente.
P: E se ele nao quer dormir sozinho?


R: Antes de tudo nao se deve deixá-lo chorar. É como se chegássemos em casa e encontráramos a nossa esposa soluçando de chorar. Nao seria normal perguntar-lhe o que acontece? E se é o meu filho, vou ignorar e começar a ler um livro? Pois é claro que vou me preocupar!



P: O que um pai tem que fazer se seu filho chora à noite?

R: Pois, dar-lhe a atençao que pede, porque se nao, ou seu choro nao lhe deixará dormir ou os seus remordimentos, que durarao muito mais que o choro da criança. E eu nao quero viver com a lembrança de que “meu filho me chamava e eu nao fui lhe ver”



P: Também podemos trazê-lo a nossa cama?

R: Claro que sim. Normalmente isto é o mais cômodo, ainda que tem gente que se empenha em se levantar seis vezes cada noite para consolar seu filho, mas nao estou disposto a fazer este sacrificio quando tudo se resolve trazendo-lhe a nossa cama.



P: …

R: Dormi com meus pais e os meus pais com os meus avós. A maioria das pessoas também o fez, ainda que custa sair do armario porque está mal visto. Disse Gabriel Mistral que “é amargo todo o homem que nunca tenha dormido no colo da sua mae”



P. Mas nao tem nenhum estudo científico que o corrobore.

R: O preconceito é pensar que as crianças que dormem com seus progenitores sao mais dependentes. Mas, segundo alguns estudos, os que dormem à noite na cama dos seus pais têm menos problemas de saúde mental.



P: “Uau”

R: Os pais costumam impor aos seus filhos normas absurdas que os fazem sofrer e a eles também. Por exemplo, nao pegá-los no colo com frequência ou deixá-los chorar quando lhes colocam a dormir sozinhos.



P: Entao, que normas temos que seguir?

R: As que os pais queiram, as que lhes sejam mais cômodas de por em prática. Estou convencido de que nao se necessita livros para criar um filho.
P: E o diz o senhor que é escritor, além de pediatra.


R: Sim, me dei conta de que muitos pais ou se sentiam preocupados por nao poder por em prática os conselhos que encontravam em livros ou ficavam com o coraçao destroçado quando os aplicavam.



P: Os pais se preocupam às vezes demais com seus filhos?

R: De um certo modo, sim. E penso que é uma consequencia de que a maioria das pessoas tem menos filhos que antes e se preocupa por coisas absurdas. Uma mae chegou a me perguntar o que poderia fazer se o seu bebê nao gostava de abobrinha. Mas, muitos pais con sete filhos nem se preocupam se eles se alimentam a base de hamburguers e batatas fritas!



P: Que diferença!

R: Hoje em dia o 80% das maes sao novatas porque nao chegam a ter mais de um filho.



P: E ainda assim nao conseguem educá-los como querem.

R: Na Espanha as crianças começam a ir a creche aos 4 meses de vida, quando em países como a Alemanha só vai um 6%, e na Finlandia a escola normal nao começa até os 7 anos. Por nao falar dos pais que deixam os filhos uma hora antes de começar as aulas e os recolhem uma hora depois de acabá-las.



P: Têm que ir trabalhar.

R: Sim, e como muitos se sentem mal, tentam compensá-lo dando todo o afeto e carinho quando estao com eles. Mas tem outros pais que, como lhes disseram que pegar uma criança no colo ou acariciá-la muito é malcriá-la, optam por comprar-lhes brinquedos, aparelhos eletrônicos e sair de férias, assim que precisam trabalhar mais e, portanto, estar menos com seus filhos.



P: É um círculo vicioso.

R: Às vezes substituimos coisas realmente importantes, como o contato, o carinho e o afeto, por coisas materiais. Dá pena escutar os pais de adolescentes problemáticos dizer “ai, com as horas que trabalhei para que nao lhe faltara nada”, mas talvez o que necessitava esta criança era mais horas de pai e mae.
P: Inclusive tem crianças que nao querem comer enquanto as suas maes trabalham.


R: Sim, este fenómeno é frequente em crianças de 4 ou 6 meses de idade. É uma conducta que se observa principalmente em bebês que tomam peito. A maioria das crianças, se dependesse delas, estariam mamando até os 2 ou 4 anos.



P: A soluçao é conciliar melhor trabalho e familia?

R: Efetivamente, temos uma das taxas de natalidade mais baixas da Europa. Outros países como a Suécia têm 2 anos de licença maternidade ou reduçao da jornada de trabalho com salário integral. Mas na Espanha as ajudas quando se tem um filho sao uma autêntica vergonha.



P: O mais importante para criar um bebê é…

R: Nao lhe dizer muitas vezes que lhe ama, porque ele nao entende isto, temos que demonstrá-lo: abraçar-lhe, beijar-lhe muito e fazer com que sinta que estaríamos dispostos a tudo por ele.
 
 
  Aqui desde sempre dormimos com as crianças por escolha, conforto, vontade, proteçao......e a autonomia deles? Vai muito bem, obrigada! Alex essa semana começou a pedir pra ir dormir na cama ao inves de ser ninado no meu colo no sofa ou na poltrona, corre pra la, tenta se cobrir e resmunga me chamando.....uma graça!
Tem coisa melhor do que cama com cheirinho de  bebe? Ou de madrugada ser acordada por uma maozinha procurando o seio pra mamar e de quebra, ganhar carinho e um olhar de gratidao do filhote? Encerro e começo meu dia sempre avistando as coisas mais preciosas da minha vida, a feiçao calma e tranquila de cada um......o primeiro "bonjour", geralmente vem deles!
Otima contribuiçao pra começar bem o dia!
 
Algumas fotos da criançada compartilhando a cama.....
Mathieu e Ciça baby!

O trio ha sete meses atras!

Alex com seis meses!


2 comentários:

Maria disse...

Tive a oportunidade de entrar em contato com os livros de Carlos a primeira vez quando meu Milin tinha 6 meses. Foi uma bençao pra minha criança. Cada um tem uma forma de educar e de criar eu estou de acordo com ele em muitos pontos.

Cláudia disse...

Não conheço muito bem a obra do Dr Gonzalez, mas esse raciocínio que liga a criação dos humanos com nosso lado antropológico faz todo sentido para mim. Enfim, com um filho de 19, uma de 17 e uma de 8, estou feliz com a colheita baseada no amor. Recomendo fortemente amor, afeto, cia e óbvio que os nãos necessários, os nãos naturais das impossibilidades. O mais curioso é que crianças criadas assim olho no olho não se tornam adolescentes chatos e nem vivem testando nãos.