domingo, 6 de fevereiro de 2011

18 meses de amamentaçao , muito a comemorar apesar da sociedade!

Pois é, atingimos mais um "cap".....quem diria, hein?!!!
Enquanto eu comemoro, a sociedade cobra, enquanto eu estou feliz com minha opçao, a sociedade esta apreenssiva.......é interessante!
Semana passada Alex teve consulta de rotina, vacinas à tomar e o que deveria ser apenas uma consulta virou um circo, onde a mulher barbada era eu e o anao era o Alex!
Eu ja sabia que teria que dar explicaçoes de fazer o que a OMS preconiza ha anos mas nao tinha ideia de que teria vontade de gargalhar e recolher minha educaçao mandando cada uma daquelas senhoras ..........!
Ja na sala de espera, Alex que dormiu no caminho no carrinho, sendo mexido pra tirar as roupas pesadas reclamou, nada demais, coloquei-o no peito pra continuar o soninho dele enquanto esperavamos, e nisso vem a primeira senhora!
- Ele AINDA mama?
-Sim, sim....sortudo né!
-Sim, sortudo....mas ele ainda é um bebe né, tem um ano?
-Nao, ele realmente nao é um bebezao mas ja tem 18 meses!
-Ahhhhh, nossa....e voce nao pensa em desmamar?
-Nao, nao trabalho, nao faço nada....enquanto esta sendo bom pra nos dois, porque nao?
-È.......so tem o PROBLEMA da dependencia né........

Nesse momento, outra senhora do centro de PMI passava quando ela solta:
-Fulana, olha......tem 18 meses e AINDA mama!!!!

A fulana olha, eu abro um sorriso amarelo, e repito "é, rapaizinho de sorte esse!"

A fulana continua olhando perdida, todas voltam aos seu trabalho ate que a primeira senhora se aproxima me apresentando a fulana de tal, uma conselheira do nao sei o quê que por acaso ajuda familias onde as maes sao muito apegadas (OI?), tipo pro binomio mae e bebe se integrarem à sociedade, duas vezes por semana rolam atividades no centro....o que acho ate bacana.

Talvez por causa da minha atitude segura, a tal conselheira nao se encorajou nem a sentar do meu lado, sentou duas cadeiras depois explicando o seu trabalho e querendo entrar no preceito de que amamentaçao = dependencia.....quando eu disse que o trabalho dela era bacana, ela se espantou, achou que rolaria resistencia....so disse que morava em outra cidade e chegamos à conclusao de que seria apertado em termos de horario a minha frequentaçao nas tais atividades.

Minha vez de entrar com Alex, a pediatra, velha conhecida, nos comprimenta e a fulana de sempre solta (ohh incomodada do caramba hein!);

-Esse ainda mama......

- é, esta anotado aqui no carnet de sante dele , diz a pedi

-Ele se alimenta bem?

-Muito, come de tudo apesar do seio em LD....

-Ainda tem personalidade forte? (Tipo, é relevante? Quem atura?)

-Depende, tem a personalidade compativel à um bebe de 18 meses.....

-Ele vai ter dificuldades de entrar na escolinha, estavamos conversando com ela sobre o programa da fulana mas ela mora em outra cidade (diz a fulana incomodada n1)

-Nao acho que va ter dificuldades nao, meus outros filhos nunca frequentaram nada além de parque antes da entrada no maternal e nunca choraram!

-Ahhhhh mas eles nao foram amamentados né, esse ai é bem mais agarrado contigo, mais dependente.....

Bom, a essa altura, minha cara ja demonstrava cansaço e insatisfaçao de ficar falando sobre isso, desmamar pra que? Qual é o motivo palpavel que EU tenho pra desmamar?
E qual é o problema do muleke ser apegado à mim? ele tem que ser apegado à quem? à velha da PMI que ele vê mal a mal de tres em tres meses?
Juro que queria entender o incomodo que eu causo nas pessoas quando levanto a blusa e dou o seio como quem estivesse bebendo agua......alguem ai vai bancar as latas de leite?
Sinceramente, cansa.....e é por ai que vejo o porque de muita mulher se desesperar, achar que esta SEMPRE fazendo algo errado.
Em tosos os topicos sobre sono e amamentaçao o maior medo de todas as maes, acima de tudo as de primeira viagem  é a tal dependencia.....gente, voces ja caçaram no dicionario o que significa independencia? E acham mesmo que um BEBE precisa ser independente? Pra que? Alias, pra QUEM?
Bebes nao sao independentes e nunca serao, autonomia é coisa pra crianças.......e filhos sao isso ai mesmo!As mulheres seriam bem mais felizes no seu papel de mae quando aceitassem de vez que é por ai....que essa "independencia" que a sociedade cobra, nao existe! Que essas mesmas mulheres que hoje, com filhos ja grandes, que te encaram com ar FALSO de sabedoria dizendo que fulaninho dormia hoooooooras por noite e mamava uma vez so por noite estao MENSINTO, senao,  tiveram raridades.....mas geralmente é  amnesia seguida de um monte de conceitos e pré conceitos internos que elas insistem em espalhar, escondendo ate de si mesma o quanto sofreram com essa pressao social a qual hoje elas mesmas exercem!
Essa mesma mulher deve ter ficado tao perdida quanto voce, ouvindo as mesmas merdas e se perguntando como é que pode a realidade da maternidade ser tao diferente do que os outros dizem.....se perguntando porque é que o seu filho é o UNICO que nao dorme ou mama a noite toda!

Hoje, me deparei com um texto da Laura Gutman que apesar de nunca ter me visto mais gorda, conseguiu explicar em poucas linhas o porque de eu nao ter amamentado nem Mathieu e nem Ciça, alias, ta ai uma autora que deveria ser obrigatorio pra muita gente......to doida pra ler os livros dela integralmente!
Vou deixar aqui o texto extraido da GVA!

A lactancia selvagem!

A maioria das mães que consultam por dificuldades na lactância estão preocupadas por saber como fazer as coisas corretamente, em lugar de procurar o silêncio interior, as raízes profundas, os vestígios de feminidade e um apoio no companheiro, na família ou na comunidade que favoreçam o encontro com sua essência pessoal.

A lactância genuína é manifestação de nossos aspectos mais terrenais, selvagens, filogenéticos. Para dar de mamar deveríamos passar quase o tempo todo nuas, sem largar a nossa criança, imersas num tempo fora do tempo, sem intelecto nem elaboração de pensamentos, sem necessidade de defender-se de nada nem de ninguém, senão somente sumidas num espaço imaginário e invisível para os demais.Isso é dar de mamar. É deixar aflorar nossos rincões ancestralmente esquecidos ou negados, nossos instintos animais que surgem sem imaginar que ainda estavam em nosso interior. E deixar-se levar pela surpresa de ver-nos lamber a nossos bebês, de cheirar a frescura de seu sangue, de chorrear entre um corpo e outro, de converter-se em corpo e fluidos dançantes.

Dar de mamar é despojar-se das mentiras que nos contamos toda a vida sobre quem somos ou quem deveríamos ser. É estar “desprolixas”, poderosas, famintas, como lobas, como leoas, como tigresas, como “canguruas”, como gatas. Muito relacionadas com as mamíferas de outras espécies em seu total afeiçoo para a criança, descuidando ao resto da comunidade, mas milimetricamente atenciosas às necessidades do recém nascido.
Deleitadas com o milagre, tratando de reconhecer que fomos nós as que o fizemos possível, e reencontrando-nos com o que tenha de sublime. É uma experiência mística se nos permitimos que assim seja.

Isto é tudo o que se precisa para poder dar de mamar a um filho. Nem métodos, nem horários, nem conselhos, nem relógios, nem cursos. Mas sim apoio, contenção e confiança de outros (marido, rede de mulheres, sociedade, âmbito social) para ser uma mesma mais do que nunca. Só permissão para ser o que queremos, fazer o que queremos, e deixar-se levar pela loucura do selvagem.
Isto é possível se se compreende que a psicologia feminina inclui este profundo afinco à mãe-terra, que o ser uma com a natureza é intrínseco ao ser essencial da mulher, e que se este aspecto não se põe de manifesto, a lactância simplesmente não flui. Não somos tão diferentes aos rios, aos vulcões, aos bosques. Só é necessário preservá-los dos ataques.

As mulheres que desejamos amamentar temos o desafio de não nos afastar desmedidamente de nossos instintos selvagens. Costumamos raciocinar, ler livros de puericultura e desta maneira perdemos o eixo entre tantos conselhos pretensamente “profissionais”.

Há uma idéia que atravessa e desativa a animalidade da lactância, e é a insistência para que a mãe se separe do corpo do bebê. Contrariamente ao que se supõe, o bebê deveria ser carregado pela mãe o tempo todo, inclusive e sobretudo quando dorme. A separação física à que nos submetemos como rotina entorpece a fluidez da lactância. Os bebês ocidentais dormem no moisés ou no carrinho ou em seus berços demasiadas horas. Esta conduta singelamente atenciosa contra a lactância. Porque dar de mamar é uma atividade corporal e energética constante. É como um rio que não pode parar de fluir: se se o bloqueia, desvia seu volume.

Dar de mamar é ter o bebê a colo, o tempo todo que seja possível. É corpo, é silêncio, é conexão com o submundo invisível, é fusão emocional, é loucura.

Sim, há que ser um pouco louca para maternar.



http://www.orkut.com/Main#CommMsgs.aspx?cmm=52101&tid=5258976459489182586&na=4


Outro trechinho:


'Se recordarmos que o leite materno não é apenas alimento, mas, sobretudo, amor, comunicação, apoio, presença, abrigo, calor, palavra, sentido, acharemos absurdo negar o peito porque "não precisa", "já comeu" ou "é manha". Então, é manha quando precisamos de um abraço prolongado do homem que amamos?


"Só o distanciamento de nossa essência nos leva a pensamentos tão violentos em relação a nós mesmas e a nossos bebês."

 Apos ler o texto, algumas pessoas indagaram ou indagam pra si como é possivel se entregar dessa forma, como é que podemos acoplar essa realidade materna com a nossa realidade social......e é ai que devolvo a pergunta, o que te impede de tentar? È realmente a vida corrida e nada ajustada à maternidade que a sociedade atual nos impoe ou sao seus conceitos e pre conceitos formados ao longo de uma vida que te impede de se desnudar dessa forma?

 PS: rolam alguns erros de concordancia pois a traduçao foi livre, e nao tenho mais o perfil de quem traduziu mas é sempre complicado pra quem nao trabalha com isso achar as palavras e o ponto exato......nada que tive a beleza e razao do texto!

3 comentários:

disse...

Dei de mamar pro Rafael até 1 ano e achava uma comédia ver a cara de espanto da francesada quando eu falava que AINDA amamentava. Até meu gineco brigou comigo! Quando voltei para a consulta 6 meses depois do parto, ele olhou com espanto pra minha cara e perguntou se eu ia dar de mamar até o Rafael completar 18 anos. Vê se pode, um médico!

Confesso que houve uma época em que eu sentia uma certa pressao, me sentia estranha por "ainda" amamentar. Inclusive foi nessa época que o Rafael começou a morder meu bico. Mas depois relaxei e tudo voltou ao normal.

Teu filho é um menino de muita sorte!

Anônimo disse...

Obrigada por este texto!
Vivo em Portugal!
O meu filho tem 20 meses hoje e ainda lhe dou de mamar livremente!
Eu trabalho 3 dias por semana, todo o tempo que tenho disponível estou com ele. Ele é uma criança "independente", inteligente, traquinas e alerta... para além de ainda mamar não tem uma única vacina!
Nunca esteve doente!! Está sempre feliz!!
E eu também!!

Coragem mães!
Ana

Anônimo disse...

Vivo no Brasil e amamento minha filha de 18 meses. Tenho enfrentado desde o nascimento dela a pressão por adotar o "complemento", e desde os 6 meses para desmamar. Ela é alegre, saudável e feliz. Adorei o texto!