domingo, 15 de maio de 2011

Infancia sem riscos?

 Se tem um local onde é um verdadeiro laboratorio infanto materno (isso existe?) é parque....voce vê de um tudo e se for observador, tira dali tese pra tudo!
Com o bom tempo aparecendo, ultimamente temos passado um minimo de duas horas diarias no nosso parque, eu digo nosso porque o trio ja conhece cada palmo dali,  conhecem tambem a maioria dos frequentadores e ja tem habitos que mostram o quanto sao veteranos no local hehehehe!
Algo que eu sempre percebi foi a falta de capacidade da maioria em se por no lugar das crianças e cortarem o barato sem logica alguma, seja por medo dos filhos se machucarem ou por medo de seus filhos serem "mal educados" na opiniao de outros pais podadores.

Algo que sempre deu o que falar é subir o escorrego pelo lado ao contrario, gente......existe conquista maior pra criança ao ver que finalmente ela tem força suficiente no braço pra subir do lado contrario , ainda que com sapato escorregadio oi meia (dificuldade adicional pra subir o nivel!) ?
   Cara, eu me lembro direitinho o quanto era bacana no Clube fazer esse tipo de coisa, alias, as vezes a turma invertia o percurso instaurando que tinhamos que subir pelo escorrego e descer pela barra de ferro que naquelas antigas casinhas de madeira, ficava ao lado da escada!

Os meus sobem sim pelo lado contrario, ja aprenderam a nao barrar divertimento de quem esta afim de descer mas uma vez vazio, la vao eles desafiar as regras e se divertir e nessas horas, quando vejo uma criança menor ou um novato no parque tentando,  vejo tambem os pais afobados em brigar dizendo que escorrego é pra descer sempre em um so sentido! (OI? quem disse isso? é lei?)
Pombas, por que cortar a criatividade infantil? Por que nao deixar que eles se entendam entre eles? Sera que essas pessoas nao tiveram infancia? Nao se lembram do quanto é gostoso correr pequenos riscos e ter sempre pequenas vitorias?
Ate o absurdo de ver criança ganhando palmada por isso ja vi, e o engraçado sao os olhares de reprovaçao por eu e alguns outros pais permitirmos as crianças de brincar como queiram! Jogam indiretas mas como veem que nao surte efeito, saem descontentes achando que o "nivel" do parque nao é tao bom, que é frequentado por pequenos baderneiros!

Essa semana rolou um novo episodio, um grupo de veteranos decidiram rodar um balanço todo num sentido e depois à cinco, se pendurarem rodando na velocidade quando o balanço voltava à posiçao normal.......cara, adorei! Nunca tinha pensado nisso ate porque na minha época os balanços eram diferentes, ai sentados ao meu lado, uma mulher com um bebe num wrap, seus pais e a filha da idade de Ciça,  a mulher dizia  "Por que permitem as crianças de brincar assim? Vao se machucar!!! Que coisa boba"..........e os pais da moça  nada diziam, a filha dela foi observar de perto, ela soltou um grito e mandou o pai  dela ir buscar a neta , o pai nao foi, ela se levantou e tirou a menina dali........as crianças continuaram a brincar ate que uma delas teve a ideia de organizar melhor , cada um teria a sua vez de rodar sozinho, assim a velocidade e impacto seria maior.....achei fofo, a menina pos todos em fila que aceitaram prontamente e assim foram fazendo, um a um, e a mulher ainda comentando que nao via graça nisso, que balanço nao era pra isso e que era um absurdo as crianças monopolizarem um dos balanços com essa brincadeira estupida, caramba!!!!  Por que estupida? Estavam se divertindo ué.....alias, tem outro balanço e ainda que tivesse um so, a finalidade do instrumento é diversao, ainda que a diversao fosse olhar o balanço balançar sozinho, sem criança, o objetivo seria atingindo, nao esquecendo que eram 7 crianças brincando com UM instrumento ao mesmo tempo! Onde que sete crianças iriam se balançar de maneira tradicional ao mesmo tempo? Nao é bacana vê-los dividindo? Se esperassem cada um sua vez na maneira de balançar tradicionalmente, que alias, depende de um adulto pra empurrar, seria bem mais longo!

No fim, entendi o problema, assim como ja vi varias outras vezes, ela nao queria a filha dela correndo riscos, se misturando, tendo ideias ou trazendo problemas, ja que criança criativa é preciso ser observada e a nossa intervençao é bem maior do que quando a criança é um robo que aceita  toas as normas sem questionar.
 O medo era a filha querer brincar, tomar um empurrao, fazer o que pra ela esta errado......e no fim ser criticada pelos outros da mesma maneira a qual ela estava a criticar aquelas crianças em voz alta pra que outras maes ouvissem e tomassem " A atitude"!

Alias, essa questao do risco é algo que me preocupa, alias, preocupa à todos nos, mas a minha preocupaçao nao é com o risco em si, é com a criança que nao testa seus limites, nao experimenta.......ano passado Mathieu olhava maravilhado as crianças mais velhas que conseguiam escalar e subir no topo do brinquedo, ele sabia que nao era capaz, nao tentava, mas observava muito desejando um dia fazer igual.
Essa primavera ele se lançou, se sentindo seguro, foi tentando, observando e conseguiu! Eu preferi nao olhar a escalada, acho que traz azar, me lembro de que quando era criança, aquelas professias do tipo "voce vai cair dai hein!" seguidas daquele olhar totalmente desejoso de que voce caisse, so pra poderem dizer "nao falei!" me irritava por demais, era incrivel, quando nao era observada, tudo dava certo, mas era um adulto se aproximar pra me secar que com aquele mau agouro trazia o tombo e a reflexao idiota!
Entao, nao olhei.......mas nao pude deixar de olhar quando ele sentado no topo abriu os braços e gritou " Je suis papai do ceeeeeeeeuuuuuuuuu"........fazendo alusao ao Cristo Redentor hahahhahahhaha, nao é o maximo! Ok, ele poderia ter caido dali, mas quer saber, um braço quebrado valeria a emoçao e a sensaçao de ter obtido exito, na vida as vezes temos que nos jogar e correr o risco, ser cauteloso é bom, mas na medida!
 Outro dia ele experimentou o tubo, tambem escalou e a mesma coisa, se vangloriou de que agora, faz parte do time dos grandes, mas quase soltei os bofes pra fora ao ver ele pensando em pular ou nao quase dois metros de altura ao inves de "desescalar", ainda brinquei com Chris dizendo que a vontade era de pegar ele no colo e nao deixar pular, ja que as vezes da aquele tranco no pé que doi pelo impacto, mas nao fui......deixei ele decidir e ele escolheu o risco, saltou com aquela cara de assustado mas o sorriso da vitoria logo estampou o rostinho dele contente pelo feito!
  Pois é, eu acho importante encorajarmos ao inves de dizermos que eles nao vao conseguir por que quem garante? Ele nao conseguiu? Entao........e assim continuo vendo as maes nervosas porque seus filhos de tres anos subiram numa corda onde a altura do primeiro nivel nao faz nem 30 cm do chao, e podem acreditar, ja vi uma deitada ali embaixo esperando a queda do filho, a cena foi tao patetica que se nao tivesse Chris de testemunha, eu iria achar que foi sonho ou miragem!
 Eu sempre me pergunto como deve ter sido a infancia dessas pessoas, sera que eles tiveram? Sera que se recordam? Eu me lembro de cada sensaçao, de cada desapontamento e olha que minha memoria é uma merda, mas pra mim é tao importante passar adiante às crianças tudo de bom que vivi,  e justamente dar as oportunidades que eu gostaria de ter tido e nao tive pelos medos e contra sensos de mamae e das minhas tias, se machucar era quase proibido.....ai pergunto, como aprender sem errar? Sem se lançar? Vai ver é por isso que muita gente nao aprendeu.........agora é tarde né!
O fofo é que ate Alex ja esta tendo noçao dos seus limites, outro dia ele desceu no escorrego sem me esperar, geralmente eu dou as maos pra ele diminuindo a velocidade da escorregada, porque ele so vai no escorrego  dos grandes, ele mesmo vendo que era muito rapido, agora quando desce sozinho aprendeu a se virar e ir de barriga.....nao é o maximo ver eles encontrando soluçoes? Com minha intervençao, ele nunca encontraria alternativa, nao saberia que sem minha ajuda o impacto é diferente!
 Confiar nos nossos filhos, deixa-los correr riscos proprios da idade e apoia-los é importantissimo nao so para a nossa relaçao de pais e filhos mas tambem pra construçao de pessoas seguras de si!
 Fica ai a dica, antes de proibir alguma coisa, tente se lembrar de como voce faria na sua infancia, e caso voce faça parte do time dos medrosos que teve pais podadores , deixe seu filhote partir pro time dos corajosos que tem pais doidos ou desleixados hahahhahaha, brinks!

Um comentário:

Nine disse...

Oi Juliana!
Muito legal a maneira como vc coloca esse problema de superproteção com os peuenos que acontece hj. Tenho um post no forno sobre isso.

Realmente hj os pais ficam "mais em cima" dos filhos. Excesso de iformação? Não sei...

Eu tento não tolher, é verdade que sempre me preocupo...dia desses a Ísis aprendeu a subir na escadinha que leva ao escorregador, eu fico ali do lado para segurar caso algo aconteça, mas não impeço. E a pequena não se intimida com nada, então minha preocupação dobra, mas tento me segurar, rsrsrsrs

Eu era super medrosa de pequena, não me arriscava, tinha medo de cair, me machucar, mas vejo que a Ísis não é assim e isso me amedronta um pouco...

Obrigada pelos comentários lá no blog!

Beijos,
Nine