quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Atitude é tudo! (adaptaçao do Alex, cont.)

Terça passada tive uma reuniao na escola do Alexandre pra discutirmos sobre a adaptaçao dele.
Estavamos presentes a médica escolar, psicologa escolar, diretor, professora, uma "ERSEH" (L'Enseignant Référent pour la. Scolarisation des Élèves Handicapés ) e eu.
Ha 3anos e meio, tive o mesmo tipo de reuniao pro Mathieu e acho que ja comentei por aqui que foi um fiasco.
Estava gravida do Alex, com Ciça baby, pressao pra ela ir pra creche.......ouvi uma enxurrada de coisas negativas e desagradaveis, sai de la morrendo de raiva e me sentindo injustiçada.
Cereja no bolo foi ouvir algo que sugeria a minha mà vontade em me adaptar ( oi? justo eu!!!) e que uma vez aqui, deveria fazer como franceses (no modo de educar).

Eu ja tinha percebido por exemplo, que da primeira vez que fui internada na clinica pra ter Mathieu e na ultima, quando tive Ciça, tudo mudou........e tambem ja tinha notado que na verdade, EU mudei, fazendo com que tudo ao torno mudasse, mas nao tinha noçao de quanto foi grande essa mudança.
Sempre me senti adaptada, nunca tive dificuldades com nada mas vejo que a minha atitude HOJE é mais segura.

Justo no dia da reuniao acordei com corpo moìdo e garganta ferrada, pronto! Queria ir armada e imponente, vou doente e ferrada.
Primeiro ponto FALHO, defensiva. Gente, nao tem comportamento PIOR.
Acho que ate pra guerrear, o bom é ir de peito aberto e se preferir ate atacar, mas na defensiva NAO! Voce se poe logo na posiçao de "estou errada, sou fraca, estou me defendendo" sem que necessariamente seja preciso! E é assim que fui na época do Mathieu, na defensiva, cansada de ouvir que ele tinha problema, doida pra acabar com aquilo e pra sair vitoriosa daquela sala, deu TUDO errado! Tah, sai do mesmo jeito me achando vitoriosa pq consegui o que queria, mas nao da forma como queria, com empatia dos dois lados e uma compreensao bacana!

Voltando à essa semana, ja fui achando que ia dar tudo errado, que ia mandar todo mundo às favas......foi tudo tao diferente, mas taaaaao diferente, beirou o inacreditavel! As mesmas pessoas, atitudes completamente diferentes!

Ja cheguei sendo super bem acolhida pelo diretor, serviu agua/café/cha.....me instalei, cumprimentei todos na sala e ele começou dizendo o motivo da reuniao.
 Eu nunca fui inibida mas ate adquirir fluencia total na lingua, e ate ja falando fluente, eu tinha sim uma vergonha, nao conseguia falar com desconhecidos dessa forma, era meio bicho do mato, dessa vez me senti bem confortavel desde o inicio.
Fui apresentada à ERSEH, ja que ela era a unica pessoa "de fora", desconhecida.
A prof começou a falar sobre Alexandre, do comportamento dele em sala, da progressao. Ahh, vale dizer que essa semana tivemos volta às aulas, depois de 15 dias de ferias e ele foi super bem, sem chorar em momento algum, participativo!
Em seguida a galera se revesava me fazendo algumas perguntas sobre o dia a dia dele, relacionamento familiar porque estava em jogo a decisao de pedir ou nao uma AVS pra ele, uma auxiliar de vida escolar, alguem que ficasse à disposiçao apenas do Alexandre na sala, e essa decisao é em conjunto mas quem faz o pedido e vê se é viavel, é a ERSEH.

Agora uma diferença enorme, com Mathieu eu fui SUPER julgada na questao da maternagem de apego, eles viam como um perigo à autonomia, achavam que era relaçao fusional esbarrando no doentio e por ai vai, TUDO era sujeito à critica, como dorme, como come.....dessa vez NADA disso foi questionado, e ali apesar de todos saberem que ele ainda é aleitado, ninguem ousou falar sobre o assunto!

Entao em dado momento, quando o sujeito foi a ajuda de uma AVS, médica e psicologa foram totalmente contra, disseram que no caso dele, onde nao tem uma sindrome, doença ou necessidade especial, nao seria uma ferramenta de estimulo mas um muro, que na opiniao delas dificultaria ainda mais a sociabilizaçao dele. Deixaram claro a importancia de respeitar o tempo dele, de focalizar apenas na sociabilizaçao e nao na "produçao", tipo se ele faz atividades como deveria, se desenha na linha certa e por ai vai.

A prof disse que ultimamente a dificuldade dela é no reagrupamento, na ultima meia hora onde ela junta as crianças pra contar historias , cantar......nem sempre ele quer, prefere brincar!
Alias, falou varias coisas sobre ele, que ele canta e fala o tempo todo e as vezes distrai os amigos, que nao vai em direçao aos amiguinhos mas que aceita carinho e conforto, que como ele chorava no inicio e a prof acariciava, os amigos aprenderam e hoje ele é o chouchou, o protegido dos outros.
Ao contrario do que eu pensava, ele nao faz tudo na motricidade, ele ainda tem dificuldades quando tem muita gente no ambiente e tiramos a conclusao de que ele prefere coisas direcionadas à ele, nao ao grupo ou ao menos um ambiente com poucas pessoas.

No fim, o diretor fez copia do resumo da reuniao, todos assinamos e veio o inusitado, uma chuva de cumprimentos e agradecimento pelo meu empenho, por estar sempre disponivel e ABERTA , ser participativa e ajudar no processo, que seria otimo se todos os pais se comportassem dessa forma.

Nesse momento veio o estalo! Acabei "devolvendo a bola", como dizemos por aqui e falando ate com sinceridade, que adoro a equipe do maternal, que ate hoje tive otimas experiencias com as profs, apesar dos desentendimentos na época do Mathieu e que achava importante trabalharmos juntos, pais e equipe escolar, e que no fim, a interessada maior sou eu, ja que é meu Alex em jogo!
A prof ficou emocionada pois choveram elogios da médica e psicologa tbm, e é verdade que ela é otima profissional, aceitou de prontidao ideias novas de como lidar com Alexandre e nao teve problemas em ser sincera e dizer sobre as dificuldades que ela como profissional tinha.
A reuniao foi tao positiva que por mim teria uma a cada tres meses hahahhahahaha.

Como segunda que vem começaremos um acompanhamento no CMP, com um psicologo, ficamos de acordo em esperarmos ate janeiro pra tomarmos novas decisoes, a menos que o quadro mude. Alex tem progredido à seu tempo.
Fiquei aliviada com a decisao de nao termos uma AVS pra ele e feliz em ver que a prof nao foi contra, nao mostrou descontentamento, porque de certa forma pra ela seria bem mais facil ter alguem so pra ele.

Entao a consideraçao final é de que postura/atitude é importantissimo. Se eu nao tivesse mudado, acho que o resultado nao seria tao positivo, nao teriamos enfim um relacionamento mais leve onde rola empatia mutua. 
Eu me achava super adaptada, e tah, sempre fui, mas nao tinha postura aberta, estava fragilizada na época e nao fui na outra reuniao com o peito aberto, entao pra quem esta aqui a pouco tempo ou esta enfrentando problemas com a direçao e equipe escolar, a dica é essa.
Reveja sua postura, reflita se voce esta na defensiva ou se esta agindo em grupo, porque é isso, juntos, pais , professores e o resto da equipe formamos um grupo so!

2 comentários:

barbara carolino disse...

Adorei ler seu post sobre adaptacao escolar. Estou indo final do ano com meu filho de 9 anos para franca. E estou com muitas duvidas. Estou com medo dele nao se adaptar a escola, que pelo que vejo e mais rigida que no brasil. Estarei indo no em dezembro. Assim que terminar o ano letivo. E nao sei como vai se passar, pois pelo que sei o ano letivo so comeca na franca em setembro, ne?
Estarei morando na alsace. Pois meu esposo e alsacien. E muito preocupada com a adaptacao dele em outro pais.

Juliana Beaup disse...

Barbara, voce tem facebook? Por la tem grupos de mamaes na França, passa por la!!! Nao fique preocupada nao, eles se adaptam bem mais rapido do que nos!
Aqui eles sao mais exigentes nuns pontos mas mais tranquilos em outros, mas é bem diferente sim. Venha de coraçao aberto, vai dar tudo certo! Bjos e desculpa pela demora em responder!